ONE é um sistema de gerenciamento e organização de processos. O principal objetivo da ferramenta é oferecer opções de trabalho de forma sincronizada e contribuir para a gestão de pessoas, por meio de informações sobre a produtividade.
O desafio era simplificar a rotina de trabalho reduzindo custos operacionais e estimular o trabalho colaborativo. O sistema legado foi um obstáculo para propor melhorias sistêmicas e de processos. Os sistemas utilizados na época tinham muitas funções escondidas com sub-níveis e organizadas para "atender demanda local".
Abordagem
Como Product Designer, atuei de ponta a ponta nas etapas de product development, com foco em discovery e delivery. No início do projeto, trabalhei de forma individual, conduzindo toda a pesquisa documental e entrevistas com usuários.
Com a formação de uma equipe multifuncional — composta majoritariamente por profissionais "não designers" — colaboramos na criação de um plano voltado para resolver problemas sob a ótica do negócio. Optamos por utilizar o framework Jobs to Be Done, com o objetivo de identificar o “Job” real do usuário e focar diretamente no problema a ser solucionado.
Durante todo o processo, alguns frameworks ajudaram na tomada de decisão: Journey Map, Opportunity Solution Tree, Double Diamond, Ecosystem Map e Process Map.
Durante o discovery, foi identificado que diferentes usuários realizavam tarefas distintas com o mesmo objetivo, mas de forma descoordenada, o que resultava em perda de tempo e retrabalho. A causa raiz era a falta de alinhamento entre setores e gerências, com ausência de uma cultura colaborativa e, em alguns casos, problemas graves de centralização de informações.
O framework de Product Market Fit ajudou na hora de apresentar as estratégias aos stakeholders - User Experience (UX); Features; Proposta de valor; Funcionalidades (features); Perfil do cliente-alvo. Essa abordagem ajudou a tangibilizar as descobertas e validar prioridades com a liderança.
Trabalhar com um sistema legado altamente complexo exigiu uma abordagem estruturada. Cada função envolvida no processo tinha visões, dores e prioridades diferentes, o que gerava ruído e desacordo sobre o que precisava ser priorizado. Na minha visão, um dos fatores-chave para o sucesso das iterações foi a abordagem orientada a processos. Trabalhando em conjunto com o time de engenharia, desenvolvemos POCs (provas de conceito) para mitigar riscos técnicos e de usabilidade, além de validar hipóteses de negócio.
Com um time enxuto, adotamos um modelo ágil baseado em Scrum, organizado por squads. Um diferencial relevante foi o envolvimento direto de stakeholders e outras squads na cocriação de fluxos, o que garantiu maior alinhamento, engajamento e eficiência na construção das soluções.
Solução
Foi introduzida uma nova interface com design mais simples, acessível e centrado na experiência do usuário. O objetivo era oferecer uma plataforma de autogestão (Employee Self-Service), permitindo que os colaboradores resolvessem demandas com autonomia e agilidade.
Os itens de menu foram reorganizados com base nas funções de cada equipe. Durante o processo de definição, testamos diferentes estruturas de categorização e envolvemos os usuários para entender suas preferências e expectativas. A versão final adotou a categorização por função, que apresentou melhor desempenho em testes de usabilidade e menor curva de aprendizado.Para facilitar a familiarização com a nova interface, foi implementado um tour guiado, apoiando o onboarding e melhorando a retenção de funcionalidades.
A plataforma foi desenvolvida com base em uma arquitetura de microsserviços, o que trouxe importantes benefícios em termos de flexibilidade e escalabilidade. Essa abordagem permitiu a implementação rápida e modular de novos componentes e funcionalidades, sem restrições quanto à linguagem ou tecnologia utilizadas. Essa flexibilidade técnica se traduziu em agilidade nas entregas e menor dependência entre squads, o que teve impacto direto na eficiência operacional e na capacidade de responder às necessidades do negócio com velocidade.
Dead Cat Bounce
Neste projeto especificamente, optamos por não utilizar personas, pois o foco estava nos problemas concretos que precisavam ser resolvidos. Adotamos a metodologia do Job to Be Done (JTBD), que nos permitiu concentrar na compreensão do "trabalho a ser feito" pelo usuário em vez de construir perfis generalistas. Devido à dificuldade de acesso a informações detalhadas sobre os usuários, essa abordagem foi essencial para manter o foco na função prática das soluções, garantindo entregas mais alinhadas às necessidades reais do contexto de uso.
Integração de Inteligência Artificial: Smart Document Understanding
Durante o processo de desenvolvimento, implementamos um SDU (Smart Document Understanding) — uma API capaz de interpretar a estrutura de documentos de negócios complexos em formato PDF. Essa ferramenta utiliza inteligência artificial para rotular visualmente o texto e identificar, com precisão, a resposta exata dentro de seções específicas do documento. O sistema é baseado em machine learning e, após sua configuração inicial, a IA passa a aplicar automaticamente seu entendimento aos documentos processados, aprendendo e evoluindo com o tempo. Essa integração reduziu significativamente o esforço manual, aumentou a eficiência na extração de dados e contribuiu para uma melhor experiência do usuário.
Otimização da pesquisa com IA: Watson Discovery
Diante da grande quantidade de informações não estruturadas, foi sugerido o uso do Watson Discovery — uma tecnologia de pesquisa corporativa e inteligência artificial desenvolvida para quebrar silos de dados e recuperar informações específicas com precisão.
solução aplica os avanços mais recentes em machine learning, com recursos robustos de processamento de linguagem natural (NLP), e pode ser facilmente treinada com o vocabulário específico do domínio do negócio.
Na prática, o Watson Discovery foi essencial para reduzir o tempo de busca e indexação de informações em documentos críticos para a execução de tarefas, aumentando a produtividade dos usuários e a eficiência operacional da empresa.
Métricas: Para este projeto, foi implementado um sistema de event tracking em cohorts, permitindo identificar as ações dos usuários, os caminhos percorridos dentro da interface e os principais pontos de fricção na experiência. Essa análise foi fundamental para orientar decisões de melhoria contínua com base em dados reais de uso.
Handoff: A entrega foi realizada por meio de protótipos navegáveis, com o objetivo de ilustrar claramente os comportamentos e interações esperadas. Em situações mais complexas, também foram produzidos vídeos com captura de tela, facilitando a comunicação com o time de engenharia e acelerando a implementação.